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O diabetes gestacional é um dos problemas metabólicos mais comuns, sendo caracterizado por uma intolerância à glicose diagnosticada, pela primeira vez, durante a gestação e que pode, ou não, permanecer após o parto. Esse quadro acarreta em um aumento do açúcar no sangue, assim como no diabetes tipo 2, o que pode gerar alguns sintomas parecidos com o cansaço. É uma condição que vem crescendo pelo mundo, com uma prevalência estimada entre 15 e 20%, o que quer dizer que a cada 100 mulheres grávidas em torno de 15 a 20 desenvolverão a doença. Alguns fatores podem contribuir com seu aparecimento, como engravidar após os 35 anos, estar com sobrepeso, obesidade ou, ainda, ganhar peso excessivamente na gravidez, ter histórico familiar de diabetes, possuir a síndrome do ovário policístico e/ou ter baixa estatura.

Os riscos atribuídos ao diabetes gestacional são muitos, uma vez que a gestante diabética apresenta maiores chances de desenvolver pressão alta, além de infecções durante a gravidez e após o parto. A doença também aumenta o risco de abortos espontâneos, partos prematuros e de bebês grandes demais para a idade gestacional, o que favorece complicações durante o parto. Além disso, esses bebês têm maiores chances de desenvolver diabetes, obesidade e síndrome metabólica na infância e/ou na idade adulta. Mas, para que o diagnóstico final da doença seja feito, é necessário realizar alguns testes como de glicemia em jejum e o teste oral de tolerância à glicose, onde o teor de açúcar do sangue é medido após a ingestão de glicose em jejum.

Os cuidados a serem tomados, caso o diagnóstico seja confirmado, vai depender do grau da doença e do que o médico julgar necessário. Algumas vezes, haverá necessidade de utilizar medicamentos para controlar o açúcar do sangue como comprimidos orais ou o próprio hormônio insulina. No entanto, em aproximadamente 60% dos casos, apenas alterações na alimentação e no estilo de vida já são suficientes. A maior parte das mulheres que desenvolve diabetes na gestação normalizam seus níveis do açúcar no sangue ainda nos primeiros dias após o parto, mas de 15 a 50% delas acabam desenvolvendo o diabetes tipo 2 ou a intolerância à glicose. Assim, para manter uma gestação saudável e controlar o ganho de peso, é fundamental equilibrar as quantidades de nutrientes na alimentação, principalmente os teores de carboidratos, proteínas e gorduras. O fracionamento das refeições, a utilização de adoçantes artificiais e a prática moderada de atividade física, desde que não esteja contraindicada pelo médico, também podem auxiliar, além do aleitamento materno exclusivo que pode reduzir as chances de desenvolvimento do diabetes tipo 2 após a gestação.

O diabetes gestacional é uma condição complexa que merece um cuidado especial, mas que pode ser bem controlado se for monitorado e tratado adequadamente. Por isso é importante sempre procurar um especialista e realizar o pré-natal.

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção a Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. –5. ed.– Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2013-2014/Sociedade Brasileira de Diabetes ; [organização José Egidio Paulo de Oliveira, Sérgio Vencio]. – São Paulo: AC Farmacêutica, 2014.
Fagen C. Nutrição Durante a gravidez e lactação. In: Krause Alimentos, Nutrição & Dietoterapia. Editado por Mahan LK & Escott- Stump. 10ª edição. São Paulo: Roca; 2002.p.159-186
Poomalar GK. Changing trends in management of gestacional diabetes mellitus. World J Diabetes 2015; 6(2): 284-295 São Paulo (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenadoria de Planejamento em Saúde. Assessoria Técnica em Saúde da Mulher. Atenção à gestante e à puérpera no SUS – SP: manual técnico do pré natal e puerpério / organizado por Karina Calife, Tania Lago, Carmen Lavras – São Paulo: SES/SP, 2010.