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É cada vez mais crescente o número de pessoas que estão em busca de um estilo de vida mais saudável, mas o que muitos ainda acreditam é que para isso devem deixar de comer o que consideram gostoso, sentindo culpa após o consumo de alimentos que trazem prazer. Nos dias de hoje ainda existe uma tensão muito grande entre o prazer e a saúde, sendo comum ouvir frases do tipo: “por que tudo que é gostoso engorda?” ou “por que os alimentos saudáveis são tão sem graça?”, além do uso de dietas restritivas e rigorosas em busca de algo que se acredita ser saúde, deixando de lado aspectos importantes dos alimentos, como suas características sensoriais.

No entanto, as características sensoriais dos alimentos, como sabor, cheiro e textura exercem grande influência sobre as escolhas alimentares, sendo o sabor o mais importante deles, fornecido, na maioria das vezes, por nutrientes frequentemente “proibidos” nessas dietas, como os açúcares e as gorduras. A boa notícia é que, uma alimentação saudável, pode e deve ser saborosa e prazerosa, pois o seu conceito é baseado em uma abordagem global da dieta, que deve fornecer todos os nutrientes importantes, dentro das necessidades de cada indivíduo, excluindo a classificação dos alimentos em “bons” ou “ruins”. O importante é saber equilibrar a quantidade que se consome, criando uma relação saudável e prazerosa com a comida.

Para isso algumas técnicas podem ajudar:

- Regularidade e atenção: Prestar atenção em seu prato e sentir todos os sabores e texturas que ele apresenta, mastigando bem e com calma. Além disso, evitar beliscar entre as refeições e não deixar guloseimas ou outros petiscos a mostra; aproveite o momento para conectar-se ao seu corpo e perceber os sinais que ele envia de saciedade e prazer;

- Ambientes apropriados: Evitar distrações como televisão, celulares e computador, durante a refeição ou ainda se alimentar enquanto está no transporte ou quaisquer outros locais que não permitam com que a atenção seja voltada ao ato de comer;

- Companhia: O momento da refeição pode e deve ser compartilhado com familiares e colegas de trabalho. Trata-se de uma oportunidade para se conectar, conversar e dividir experiências, mas deixe os assuntos estressantes para depois.

A alimentação, além de nutritiva, deve ser uma parte prazerosa de seu dia e, por isso, além de atenção, incluir os alimentos de maior preferência em seu cardápio, é fundamental!

Referências
Bays JC. Cultivating Ease and Freedom When Consuming: The Case for Mindful Eating and Conscious Living. Disponível em: http://ucsdcfm.wordpress.com/tag/mindful-eating/ [Acesso em 03 nov 2014].
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.
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Jallinoja P, Pajari P, Absetz P. Negotiated pleasures in health-seeking lifestyles of participants of a health promoting intervention. Health, 2010; 14(2): 115-130.