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Dr. Filippo Pedrinola

Médico Endocrinologista, doutor pela a Universidade de São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).

1. Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (2008/2009) mostram que o consumo excessivo de açúcares foi observado em 61% da população. Qual o perigo desse consumo elevado?

O excesso de consumo de açúcares não só torna as pessoas mais gordas, mas também mais doentes. A incidência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes vem crescendo de forma preocupante e pode ser que, pela primeira vez na história da humanidade, vivam menos tempo que os pais. Entretanto, esse problema não está restrito apenas aos mais jovens: condições relacionadas à obesidade, como diabetes e doenças cardíacas, estão entre as principais causas evitáveis de morte em adultos. O problema acontece com o açúcar refinado, como aquele encontrado no xarope de milho de frutose e o açúcar normal de mesa feito glicose e frutose e desprovido de valor nutricional. Alimentos processados podem conter grandes quantidades de açúcar e seu consumo regular pode levar ao acúmulo de gordura no fígado, dificultando a ação da insulina e podendo levar à resistência insulínica e síndrome metabólica. Essa condição aumenta os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e derrame.

2. Quais medidas podem ser adotadas no dia a dia para controlar o Diabetes?

As principais causas que levam ao aparecimento da diabetes tipo 2 são: má-alimentação, sedentarismo e estresse, ou seja, é uma doença de estilo de vida e que pode ser prevenida adotando uma dieta equilibrada, diminuindo a ingestão de carboidratos refinados e gorduras saturadas, adotando um plano de atividade física regular, pelo menos 3 vezes por semana, gerenciando os níveis de estresse e dormindo bem. Somos biologicamente programados para gostar do sabor doce, nossas línguas e cérebros entendem que o que é doce não é venenoso e isso é um resquício nossos ancestrais. Nesse sentido, o uso de adoçantes pode ser muito útil para satisfazer essa necessidade natural sem adicionar calorias à alimentação.

3. Os hormônios da gravidez podem impedir que a insulina cumpra o seu papel de regular os níveis de glicemia no sangue. Quando isso acontece, a glicemia pode aumentar, causando a chamada diabetes gestacional. Uma gestante diabética pode consumir adoçante?

A placenta produz hormônios que reduzem a ação da insulina, que estimula o pâncreas a aumentar sua produção. Entretanto, em algumas mulheres essa compensação não ocorre e pode surgir o diabetes gestacional. Inúmeros estudos científicos comprovam que o consumo de adoçantes durante a gestação é seguro e muito útil nesses casos, desde que sejam respeitados os valores de ingestão diária aceitável (IDA). Isso vale para a sacarina, ciclamato, aspartame, acessulfame k, sucralose e stévia.

4. O que é hipoglicemia e quais cuidados o paciente diabético deve tomar nestas situações? E a hiperglicemia?

A hipoglicemia é definida como a diminuição da taxa de açúcar no sangue para valores abaixo do normal. Para pacientes diabéticos considera-se hipoglicemia quando a glicemia (taxa de açúcar no sangue) está menor que 70 mg/dL. O principal cuidado que o paciente diabético deve ter nesta situação é o de corrigir a hipoglicemia. O modo mais fácil de fazê-lo é ingerindo uma pequena quantidade de carboidrato (15 gramas), como 2 balas não diets ou um copo pequeno (200 ml) de suco de laranja, dentre outras opções.

5. Dentre as opções de adoçante que temos hoje, qual considera a melhor para consumo?!

A hiperglicemia é quando as taxas de açúcar no sangue estão elevadas. Nestes casos, além de uma alimentação equilibrada e prática de exercícios, existe a necessidade de uma consulta médica para avaliar a introdução em ajuste de medicamento. Todas as opções de adoçantes são seguras: sacarina, ciclamato, aspartame, acessulfame k, sucralose e stévia. A escolha de uma ou outra opção depende do consumidor, que pode optar pela alternativa mais agradável ao seu paladar.