Finn

Dra. Marlene Merino Alvarez

Nutricionista CRN 3447
Doutora em Nutrição – Instituto de Saúde Coletiva – Universidade Federal Fluminense – UFF Coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes

1. Atualmente observamos com frequência uma tensão entre prazer e saúde na busca por uma alimentação equilibrada. Muitas pessoas acreditam que, para serem saudáveis, precisam deixar de comer aquilo que acham gostoso. Como podemos quebrar este mito de que a alimentação saudável não é saborosa?

Realmente é um mito e parece estar ligada àquela ideia antiga que o saudável deve ser cozido e sem gosto. Atualmente é possível ter alimentação saudável sem perder o sabor dos alimentos. Existem várias receitas interessantes e saudáveis disponíveis no site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Por exemplo, sabemos que a gordura é quem acentua o sabor dos alimentos, contudo ela é um dos maiores vilões para saúde cardiovascular. Para ultrapassar esse impasse deve-se ter criatividade na elaboração dos pratos e algumas dicas práticas podem tornar os pratos bem agradáveis.

• Use condimentos naturais para temperar e dar aroma às preparações (orégano, manjericão, alecrim, hortelã, etc.);
• Use as carnes, frango e pescado grelhados para que, dessa forma, a quantidade de gordura adicionada na receita seja reduzida e apenas a gordura naturalmente presente no alimento seja acentuada;
• Use Iogurte natural desnatado com azeite e temperos naturais como uma opção de tempero saudável para saladas, por exemplo;
• Faça seu próprio caldo de legumes a partir da cocção dos mesmos. Congele o caldo em cubos na forma de gelo e use em outras preparações;
• No mais, use e abuse das saladas coloridas, tempere com azeite ou com condimentos naturais a gosto. Use pouco sal e aprenda a identificar o sabor dos alimentos.

2. Quem tem diabetes precisa adotar uma alimentação diferenciada ou consumir alimentos especiais?

O plano alimentar para a pessoa com diabetes é bem similar ao recomendado para pessoas saudáveis. O uso de produtos especiais não é essencial para o controle da doença, mas eles conferem um leque maior de opções, sobretudo quando se está fora de casa.

3. Diabéticos devem preferir as versões light ou diet dos alimentos?

Os produtos diet e light são opções para substituir produtos ricos em carboidratos, gorduras ou calorias. O uso de edulcorantes (adoçantes não nutritivos) é muito comum na prática clínica porque substituem o açúcar simples (sacarose), cujo valor nutricional é pobre e aumenta rapidamente a glicemia. Essa substituição permite aumentar outras fontes de carboidratos que possuem nutrientes importantes ao corpo, como vitaminas, minerais e fibras.

4. Muito tem se falado sobre a sucralose, que é uma substância adoçante derivada da cana de açúcar. Esta seria uma opção mais segura e melhor para quem não gosta de adoçante? O mel é uma opção para substituir o açúcar da dieta?

No Brasil, o órgão que regulamenta os edulcorantes e garante a qualidade das substâncias é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), seguindo as recomendações do comitê da Organização Mundial da Saúde (OMS), autoridade máxima em saúde no mundo. Todas as substâncias edulcorantes em vigência no país têm a sua segurança comprovada pelo Comitê de Especialistas da ANVISA.
A sucralose está entre as opções de edulcorantes que não oferecem riscos à saúde, sendo considerada segura pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão que regulamenta o uso de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, para uso em pessoas com Diabetes. Além disso, a sucralose apresenta a característica de ter como origem da fonte uma substância já reconhecida pelo organismo humano e com a vantagem de não fornecer calorias.
O mel é fonte de carboidratos, composto por frutose (maior parte) e sacarose, a depender da fonte original. Para uma pessoa adulta que não tem diabetes ou sobrepeso o mel pode ser usado em substituição do açúcar de mesa, cujo processo de refinação usa muitas substâncias químicas.
O ideal é usar o suco de fruta da época para não precisar adoçar. Contudo o uso de edulcorantes pode ser uma boa opção ao açúcar simples.

5. Quais dicas você daria no momento das compras no supermercado para fazer escolhas mais saudáveis? E o diabético, precisa ter alguma atenção especial ao ler a rotulagem de alimentos?

Várias pesquisas mostram que a fome induz ao exagero nas compras. Para não comprar o produto apenas por impulso, o ideal é escolher um horário após as refeições para ir ao supermercado. Inicie as compras pelos alimentos que compõem a cesta básica, acrescente os alimentos in natura tal como verduras, legumes e frutas e deixe os produtos industrializados para o final.
Embora os produtos industrializados sejam práticos, eles podem conter substâncias que podem fazer mal à saúde. Assim, é fundamental a leitura atenta do rótulo, principalmente para as pessoas que têm alguma restrição alimentar, tal como diabetes.
Muitos produtos são sinalizados como diet e light por possuírem finalidades diferentes. Para um produto ser considerado diet é necessário que haja a retirada de algum nutriente, que pode ser açúcar (sacarose), sal (sódio), gorduras ou calorias.
Já o light se refere a uma redução de no mínimo 25% de calorias ou de algum nutriente, que também pode ser açúcar (sacarose), gordura total ou trans ou sal (sódio). A característica que o define como light é possuir um benefício adicional em relação ao produto original.
Assim, ambos os produtos podem ser usados pela pessoa com diabetes e o que vai determinar o uso adequado dos mesmos vai depender do entendimento do rótulo.
Além disso, deve verificar na ficha nutricional a quantidade de carboidratos, gorduras saturadas e calorias da porção do produto a ser consumido. Esses dados são importantes para avaliar se vale a pena comprar o produto e para posterior substituição por outro alimento do plano alimentar do dia-a-dia.
Prestar atenção também ao peso líquido discriminado na frente do produto, porque as quantidades expressas na ficha nutricional se referem à porção do produto e podem ser diferentes da quantidade na embalagem. Nesse caso, deve-se utilizar a quantidade expressa na porção ou se preferir, deve fazer regra de três para saber o valor dos nutrientes de acordo com o peso líquido da embalagem.
Outra informação que agrega valor ao produto está na última coluna da ficha nutricional onde são apresentados valores percentuais (%) dos nutrientes em comparação com as recomendações para uma dieta de 2000 kcal (valor que é uma referência média de calorias para a população). Essa informação é um demonstrativo do quanto os nutrientes na porção descrita no rótulo do produto cobrem as necessidades diárias nutricionais de uma pessoa com consumo médio de 2000 kcal.

Segue quadro resumo com definição de alguns produtos para fins especiais

Termo Regras da ANVISA
Diet Retirada de um determinado nutriente, que pode ser açúcar, gordura saturada ou total, sódio ou calorias
Light O produto deve ter no mínimo 25% a menos de um determinado nutriente, que pode ser açúcar, gordura saturada ou total, sódio ou calorias, em relação ao produto original
Rico em Ômega 3, 6 e 9 Deve conter o dobro das concentrações mínimas do alimento fonte do nutriente
Isento de gorduras Trans Deve ter no máximo 0,1g de gordura trans por porção e manter baixos os índices de gordura saturada e a não adição de sal.
Altos teores de proteínas Devem especificar os aminoácidos e suas respectivas quantidades relacionados ao benefício nutricional.