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“O que é glúten”? Esta foi uma das informações mais buscadas no Google em 2014, sendo que entre as TOP 10 das pesquisas, essa ficou na 7ª posição! Em meio às polêmicas de que seu consumo pode prejudicar o processo de perda de peso e a crescente quantidade de produtos no mercado com o apelo “gluten free” (livre de glúten, em português), muitos consumidores acabam ficando na dúvida se ele é ou não um vilão e se a sua retirada da alimentação pode trazer benefícios.

O glúten é uma proteína vegetal, encontrada naturalmente no trigo, centeio, cevada e aveia. A aveia naturalmente não contém glúten, porém devido à contaminação cruzada, do solo ou no armazenamento com outros alimentos que contém glúten, produtos com aveia devem declarar em seu rótulo a presença dessa proteína. Uma das características do glúten é conferir elasticidade em produtos de panificação, garantindo aquele aspecto mais fofinho.

Portadores de doença celíaca não podem consumir essa proteína, pois possuem uma intolerância ao glúten, ou seja, essa proteína não é reconhecida pelo corpo e por ser considerada “estranha” pelo organismo provoca uma resposta inflamatória que destrói determinadas células do intestino. É por isso que a doença celíaca é classificada como autoimune. Há também outros níveis de restrição: os alérgicos ao glúten, que apesar de não sofrerem a destruição das células do intestino, podem apresentar dermatites e alterações no funcionamento do fígado, por exemplo; e os sensíveis ao glúten, que sofrem apenas um desconforto na região abdominal causado pelo consumo do glúten. Ambos devem evitar produtos à base de glúten, pois seu consumo pode induzir sintomas como flatulência, distensão abdominal e diarreia.

O diagnóstico da doença celíaca deve considerar sempre o exame clínico, baseado nos sinais e sintomas relatados pelo paciente, exames de sangue que detectam os anticorpos que provocam a reação à ingestão do glúten e biópsia do intestino, que consiste em analisar uma amostra da mucosa intestinal. Desta forma, o diagnóstico da doença celíaca exige sempre a avaliação de um médico.

O tratamento para essas doenças é a restrição de alimentos que contenham glúten na dieta. A farinha de arroz, amido de milho, farinha de inhame, fécula de batata e fécula de mandioca são algumas das alternativas na para substituir os alimentos com glúten, sendo possível produzir diversas preparações que vão desde massas, cremes, biscoitos, até pães e bolos.

Para indivíduos que não possuem a doença, não existem evidencias cientificas que justifiquem que a restrição ao glúten traga benefícios à saúde e tampouco que colabora no processo de perda de peso. É importante esclarecer que os produtos que não contém glúten também são fontes de carboidrato, principal combustível do organismo e que, portanto, uma dieta sem glúten não é sinônimo de uma dieta com menos calorias. Assim, ao retirar um alimento do cardápio e fazer a substituição por outro, é importante ter o acompanhamento de um nutricionista para avaliar a real necessidade dessa substituição e como fazê-la, se for indicada.

Referências bibliográficas:

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