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A lactose é um tipo de açúcar naturalmente presente no leite e seus derivados. Para que ocorra a sua absorção no organismo é necessário que, primeiramente, esta molécula seja quebrada em moléculas menores por uma enzima conhecida como lactase, presente no intestino delgado e, em sua ausência, a lactose chega intacta ao intestino grosso. Quando isso ocorre ela acaba atraindo água e serve como alimento para bactérias fermentativas que se encontram na região, causando diarreia, náusea, gases e cólicas.

Acredita-se que a intolerância a lactose na América do Sul atinja cerca de 50% da população. Aproximadamente metade das pessoas no Brasil apresenta algum grau de intolerância. No entanto, isso não significa que estes indivíduos apresentarão todos os sintomas, ou mesmo algum. Isso varia com o grau de intolerância, assim como a quantidade de lactose ingerida. Há três tipos de intolerância: uma causada por uma deficiência congênita, ou seja, a criança nasce sem a capacidade de produzir lactase e terá que tomar fórmulas especiais e excluir completamente a lactose de sua alimentação ao longo da vida; outra pode ser a deficiência primária, em que há um decréscimo da produção de lactase após a infância e a última, classificada como deficiência secundária, que ocorre com a queda na produção de lactase devido a uma diarreia crônica, doença celíaca, doença do intestino irritável, dentre outros.

Além de uma avaliação clínica, há alguns métodos que auxiliam a diagnosticar o distúrbio, sendo os mais comuns: o teste de intolerância à lactose, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes. Em todos os casos a pessoa ingere uma dose de lactose. O primeiro ocorre em jejum e mede-se a glicemia durante a hora seguinte. No segundo, uma alta dose é ofertada e mede-se a quantidade de hidrogênio expirado. No terceiro é medido o nível de acidez no exame de fezes.

O tratamento para os intolerantes pode ser baseado em adaptações na dieta e uso de medicamentos, sendo que caberá a um profissional de saúde tomar essa decisão em conjunto com o paciente de acordo com o grau de intolerância. Inicialmente corta-se o consumo de leite e seus derivados e estes são reintroduzidos na alimentação gradativamente. Estudos indicam que há uma tolerância de no mínimo 12 g de lactose nessas pessoas desde que seja feita de forma fracionada, ou seja, o consumo de lácteos distribuído entre as refeições do dia em pequenas quantidades. O consumo de leites fermentados, iogurtes e queijos pode ser uma alternativa, isso porque esses alimentos tem um teor de lactose mais baixo, uma vez que grande parte dela é quebrada por bactérias. Outra alternativa é o uso da enzima lactase por via oral ou adicionada diretamente aos alimentos lácteos antes de seu consumo. É possível também encontrar no mercado alguns alimentos com teor reduzido de lactose ou mesmo sem esta em sua formulação .

A restrição aos produtos lácteos deve ser feita sob a orientação de um profissional de saúde, pois estes alimentos são as principais fontes de nutrientes essenciais, como o cálcio. A exclusão da dieta sem um diagnóstico clínico e orientação adequada sobre a sua substituição pode implicar em um baixo consumo do cálcio, aumentando o risco de doenças como a osteoporose.

Não há evidências científica alguma que a retirada de lactose da dieta promova a perda de peso. Para as pessoas intolerantes a lactose, o que pode ser observado é uma redução de sintomas como desconforto gástrico e diminuição da produção de gases intestinais, o que trará uma melhora do bem estar; mas isso não representa um emagrecimento em si.

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